Quinta-feira, 25 de Março de 2010

"barómetro Empresarial 2009"

 

A D&B elaborou um trabalho sobre o clima empresarial relativo ao ponto da situação de 2009 face aos anos anteriores, destacando-se a parte que se refere ao volume de insolvências declaradas, que terão aumentado cerca de 32% face ao registado em 2008, atingindo a cifra de cerca de 3.600.

Não se conhece, porém, se este número inclui também os casos de insolvência de pessoas singulares, que têm observado um aumento muito para além das entidades coletivas. 

Assim, verifica-se que de uma forma geral, e apesar do pressentimento sobre o clima empresarial, designadamente, no nível do desemprego, o movimento de empresas que saem e que entram no mercado, enquadra-se não muito longe dos parâmetros habituais. Mesmo o total de dissoluções de sociedades que tem, como bem se refere, o contributo da limpeza do cadastro do RJPADL(regime juridico dos procedimentos administrativos de dissolução e de liquidação), se encontra na média do habitual.

Agora, numa análise mais fina, devemos dar atenção ao aumento do número de insolvências declaradas. Este sim, é um indicador que merece a nossa preocupação, pois parece já ultrapassar aquilo que costumamos chamar de insolvências naturais ou normais num ambiente de mercado concorrencial.

Quer dizer-se que a crise,  internacional e nacional, está realmente a dar um contributo para o excecional número de insolvências e estas têm motivado, e de que maneira, o nível do desemprego, o qual tem sido atenuado, como é normal, com o número de empresas que vão sendo criadas, mas em quantidade insuficiente e porventura em setores diferenciados, como, por certo sucede. Ou seja, a criação de empresas não tem sido sequer suficiente para absorver a totalidade da força de trabalho que quer entrar no mercado, muito menos tem sido capaz de substituir-se ao efeito dos encerramentos por insolvência.

Por isso, a análise global entre acréscimos e decréscimos de empresas, sendo aparentemente pouco relevante, já que se manifesta um aumento de 2,9%, atingindo no final de 2009 as 501.174 empresas, está, por certo, em termos de capacidade de absorção de emprego muito aquém das necessidades. Quer dizer, também, que a dimensão das novas empresas, em termos de emprego, será muito inferior àquelas se encerram.

Em termos práticos, vis-a-vis a experiência do dia-a-dia, mostram-nos os tribunais do comércio, pelos menos esses, uma quantidade de processos nunca dantes observada, influindo na carga de trabalho do administrador da insolvência que, por vezes, tem que sugerir ao juiz a sua substituição, por incapacidade em dar resposta à enorme quantidade de processos em que está nomeado.

Sente-se, de facto, alguma debilidade de muitas das nossas empresas, sendo de esperar que este nível de insolvências possa ainda continuar. Para lhe fazer face, não há alternativa senão continuar a desenvolver projetos que dêem origem a novas empresas com capacidade suficiente para equilibrar a balança quer, fundamentalmente, dos jovens à procura do 1º emprego, quer através da formação/reconversão dos que vão ficando desempregados.

LG

publicado por gomes98 às 19:10
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